Com o aumento dos movimentos migratórios no mundo, a vida familiar transnacional tornou-se parte do cotidiano para milhões de indivíduos. Famílias com membros distribuídos em diversos países, a despeito dos impactos da distância nas relações de parentesco, conseguem constituir laços de apoio mútuo e a manutenção de uma sentimento de unidade entre seus membros a partir principalmente da circulação do cuidado entre seus membros. Com o avanço do vírus SARS CoV-2, que ganha dimensões sanitárias e sociais que podem ser consideradas como de uma sindemia, uma reconfiguração do sistema migratório internacional foi imposta, com consequências diversas populações em deslocamento, comunidades e famílias transnacionais. Medidas de fechamentos de fronteiras, restrições de viagens e fechamento de serviços não-essenciais, ainda que necessárias e eficientes para a contenção do vírus, foram utilizadas também com o intuito de avançar em políticas de contenção e de recrudescimento da migração transnacional. No Brasil, destacamos a seletividade no fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela, uma das principais regiões fronteiriças do país, com grande circularidade de migrantes transnacionais e graves questões humanitárias que se impõem com a imobilidade na região. Através de uma proposta de trabalho etnográfico multissituada e de uma abordagem que leve em consideração as diferentes dimensões da circulação do cuidado em famílias transnacionais na linha do tempo da evolução do vírus, pretendemos analisar os impactos da crise sanitária e das medidas de restrição de mobilidade em famílias transnacionais venezuelanas no Brasil. O trabalho, inserido em uma pesquisa ampla nacional sobre os impactos da Covid-19 na população migrante, almeja aprofundar na caracterização das consequências da sindemia de Covid-19 em populações migrantes em seus contextos transnacionais.
Palavras chave: Migrações Transnacionais, Famílias Transnacionais, Covid-19, Cuidado à distância.
Membros: Nicolas Neves; Cássio Silveira; Denise Martin